Artigo

Riscos e desafios para cadeia produtiva de Certificação Digital

Por Bruno Linhares, diretor da Associação das Autoridades de Registro do Brasil – AARB

O principal objetivo de uma empresa é garantir sua sobrevivência. Missão nada fácil em ambiente de negócios em permanente transformação, diretamente impactado por mudanças econômicas, tecnológicas, culturais, demográficas e até mesmo geopolíticas. Não à toa, tem crescido largamente a taxa de “letalidade” de empresas, de todos os portes e em todos os mercados.

Parte dessas mudanças devem gerar respostas estratégicas e táticas por parte das empresas, individualmente. Transformações pelas quais cada empresa, se quiser sobreviver, deve passar para adaptar-se e constituir diferenciais estratégicos para o futuro, aproveitando oportunidades, minimizando riscos, superando debilidades e reforçando sua posição no mercado.

Outra parte, no entanto, só pode ser tratada por segmentos econômicos em seu conjunto ou pela ação governamental. Esse leque de ações coletivas ou nacionais, se corporificam em proposição de boas práticas e na autorregulação, em ações normativas ou alterações na legislação, em investimentos estratégicos em infraestrutura, na oferta de financiamento a um custo justo e na regulação propositiva de mercado, criando um circuito virtuoso em prol dos negócios e da sociedade.

A cadeia produtiva de serviços em Certificação Digital tem inúmeros desafios a vencer, afirmando sua missão de garantir segurança, confiabilidade, confidencialidade e compliance ao ambiente virtual. Estarei abordando, em textos aqui, minha visão sobre alguns desses desafios.

Gostaria hoje de tratar de um desafio específico – a criação de um ambiente de competição sadio. Em seus trabalhos sobre estratégia competitiva, Michael Porter bem descreve a estrutura de uma cadeia produtiva, ressaltando especificamente as tensões que cercam cada um de seus níveis. Esta tensão permanente tem a ver com a disputa por maior ou menor quinhão de lucratividade ou valor agregado.

Na cadeia de bens de consumo, por exemplo, é muito visível a permanente disputa de valor agregado entre a manufatura industrial, atacadistas e varejistas. As transformações tecnológicas e logísticas do varejo e a internacionalização das cadeias de produção industrial que mudaram a maneira de se produzir e distribuir mercadorias são algumas das ações empreendidas por parte dos seus componentes para ampliar sua própria lucratividade.

Também na cadeia de serviços de Certificação Digital têm ocorrido transformações importantes. O aumento do número de Autoridades Certificadoras de 1º nível ampliou a margem de ação das Autoridades de Registro. Por outro lado, a multiplicação de Autoridades de Registro agregada ao crescimento das ações comerciais das ACs, incrementou a disputa por parceiros comerciais para indicação de clientes, nesse mercado onde a “indicação de compra” é um componente central do comportamento do consumidor.

O que as Autoridades de Registro devem ter consciência é que os excessos na disputa por parceiros comerciais podem criar um desnecessário “empowerment” desta nova camada na cadeia, repassando para “parceiros” parte do valor agregado que deveria permanecer em posso das ARs. Constituídas majoritariamente por pequenas e médias empresas, as ARs apresentam maior fragilidade e necessitam garantir uma estrutura financeira mais sólida. E para isto é importante evitar constituir condições degradadas de competição.

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