Mundo mais seguro

Novas soluções de segurança ajudam governos e empresas a tomar decisões

Alexandre Paiva

Quando a economia vai mal, a tendência é as reivindicações populares aumentarem em busca de alternativas de emprego e de serviços de maior qualidade. É comum surgirem manifestações nos grandes centros, que podem ser pacíficas em sua origem, mas que também podem gerar alguns incidentes no meio da multidão, como furtos, agressões físicas e até mesmo situações mais graves de violência.

Por isso, os governos e as empresas têm investido em soluções de segurança cada vez mais analíticas. Com o conceito de big data mais difundido, cresce a busca por ferramentas que possam cruzar dados estruturados e não estruturados para agir de forma preventiva. A ideia é se antecipar aos acontecimentos e, por meio de múltiplos canais como as mídias sociais e imagens de vídeo, evitar que qualquer ação mal-intencionada venha a se concretizar, tornando o mundo um lugar mais seguro.

Ao incorporar a inteligência web, a segurança fornece informações valiosas que auxiliam empresas e governos a tomar as melhores decisões no momento certo – em um grande evento, no transporte coletivo, em aeroportos, hospitais, no centro de uma grande cidade ou no ambiente corporativo.

Outra aplicação é na mobilidade urbana. Com o sistema de vigilância de vídeo, a engenharia de tráfego de um município consegue identificar, em tempo real, os locais críticos ou que podem gerar grandes congestionamentos.

Essas ferramentas de segurança irão agregar novas funcionalidades para tornar o gerenciamento e a prevenção de incidentes mais eficazes. Dessa forma, fornecerão um panorama operacional unificado e holístico, com a exibição de dados multicanais, para garantir às instituições públicas e privadas a tomada de decisões mais acertadas, sejam elas antes, durante ou após um episódio, de acordo com os procedimentos de segurança predefinidos.

lucianaabritta@dfreire.com.br

Diretor de Segurança da NICE Systems

Processo eletrônico

A Coordenadoria Nacional do Processo Judicial Eletrônico da Justiça do Trabalho (PJe-JT) definiu nesta semana as diretrizes para este ano: a manutenção da estabilidade do sistema, a unificação das versões do PJe-JT em todos os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs), a evolução do sistema com novas funcionalidades e a sua expansão. No encontro, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministro Barros Levenhagen, destacou que pretende, até o fim de sua gestão, em fevereiro de 2016, implantar o sistema em todas as varas do trabalho do país. Hoje, funciona em 1.207 unidades de primeira instância (77% do total) e em todos os TRTs.

Do Valor Econômico

ITI apresenta metas para 2015

Na parte da tarde a diretoria e associados da AARB se reuniram com o presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – (ITI), Renato Martini, o secretário executivo, Eduardo Lacerda e o diretor da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), Maurício Coelho, para a apresentação das metas do ITI sobre projetos de ampliação de segurança na validação dos Certificados Digitais ICP-Brasil, com o intuito de evitar fraudes e garantir a confiabilidade.

reuniaoAARB

O Presidente da AARB e toda a diretoria se comprometeram, em nome de seus representados, em apoiar o ITI na disseminação de todas as ferramentas que ficarão disponíveis nas plataformas das ACs e ARs para consolidar ainda mais a segurança.

Diretoria da AARB se reúne em Brasília

Encontro elege novos diretores e aprova novos associados

No último dia 16 de março a diretoria da Associação das Autoridades de Registro do Brasil – AARB se reuniu na sede do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação – ITI, em Brasília, para a realização das Assembleias Gerais Ordinária e Extraordinária.

IMG-20150322-WA0016Na ocasião foram aprovadas as contas do exercício de 2014 e o plano de ação para 2015, convalidação dos novos associados, criação e aprovação do Código de Ética do Setor, criação de um Comitê para Compor o Grupo para tratar do Código de Ética e eleição de novos diretores da AARB: Kleos Johnni, da AR Certa, de Goiás, e Marcelo Paiva, da AR Nialpa, de Minas Gerais.

Serão convidados a compor o Conselho de Ética da AARB representantes da Associação Nacional de Certificação Digital – ANCD, da AC Instituto Fenacon e da Confederação Nacional do Comércio – CNC.

Ao final da reunião foram convalidados e aprovados os novos associados da AARB. Nivaldo Cleto, presidente da Associação, lembrou a amplitude receptiva dos quadros da AARB. “Somos uma associação multibandeira, isto é, qualquer autoridade de registro filiada a qualquer certificadora é bem vinda.”

Com a certificação, declarar o IR está cada vez mais fácil

 Os benefícios são muitos para quem optar por usar o Certificado Digital

A entrega da entrega da Declaração de Imposto de Renda já começou e mesmo sendo uma obrigação anual, ela ainda assusta e transforma em correria o dia a dia do contribuinte. Só neste período é que ele se preocupa em buscar os documentos necessários para o preenchimento e, até mesmo, abatimento dos valores.

Mas, como tudo, há uma solução para resolver este problema. Desde o ano passado, a Receita facilitou, e muito, a vida do contribuinte, com a possibilidade de uso do Certificado Digital. Com ele, a declaração já vem pré-preenchida, com total sigilo fiscal, o que evita erros de digitação e, consequentemente, diminui as chances de se cair na tão temida malha fina. Ela já vem com todas as informações vinculadas ao CPF do contribuinte, constantes na base da Receita Federal.

Além dessa vantagem, este ano o contribuinte que possui o Certificado Digital – cerca de dois milhões de pessoas, de acordo com a Receita Federal do Brasil (RFB) – também poderá salvar a declaração de forma online. Ou seja, a declaração pode ser finalizada de qualquer máquina, já que ela estará arquivada na “nuvem”.

Embora ainda existam muitas outras vantagens de utilizar o Certificado Digital no IR, o número de contribuintes que utilizaram a Certificação Digital na declaração do ano passado ainda foi bem pequeno – menos de 1% das mais de 27 milhões recebidas em 2014 pela RFB. Mas a expectativa é que este número aumente muito este ano, já que há mais uma novidade para quem utilizar a tecnologia.

E a pergunta que o contribuinte pode estar se fazendo: o Certificado Digital serve apenas para a entrega da Declaração do Imposto de Renda? Claro que não. Durante todo o ano, é possível utilizá-lo de diversas maneiras e aplicações, como acessar serviços exclusivos no site da Receita, além, é claro, de poder assinar digitalmente documentos eletrônicos com a mesma validade jurídica da sua assinatura de punho.Os benefícios são muitos. Quem optar por usar o Certificado Digital pode verificar informações sobre as fontes pagadoras; obter a declaração do ano anterior; regularizar no mesmo dia sua situação com a Receita Federal caso caia na malha fina; eliminar divergências das suas informações declaradas com as fontes pagadoras; acompanhar todo o processo de sua declaração, possibilitando correções em tempo reale sem burocracia; obter cópias das suas declarações e retificar pagamentos, além de imprimir comprovantes.

Pense na facilidade de poder resolver tudo com apenas alguns cliques. De onde quiser, a qualquer hora, de forma sustentável. E com validade jurídica.

 Julio Cosentino – Vice-presidente da Certisign, Autoridade Certificadora que trouxe a Certificação Digital para o Brasil há 18 anos e lidera o segmento desde então.

Cenário MT

Certificação Digital: Passaporte antiburocracia

Certamente o segmento contábil está entre os que podem testemunhar, com mais propriedade, o quanto a certificação digital agiliza processos, facilitando a vida das empresas e profissionais da área, bem como dos seus clientes internos e externos.

Certamente o segmento contábil está entre os que podem testemunhar, com mais propriedade, o quanto a certificação digital agiliza processos, facilitando a vida das empresas e profissionais da área, bem como dos seus clientes internos e externos.

Seus efeitos positivos aparecem já no nascimento de uma empresa, ao reduzir drasticamente o prazo médio de abertura, que já chegou a ser de um mês. Hoje, no entanto, CNPJ, Inscrição Estadual e Registro na Junta Comercial podem ser emitidos simultaneamente em até cinco dias úteis.

Ao longo da vida de um empreendimento, são frequentes também as mudanças em seu perfil operacional, alterações que novamente requerem a intervenção dos órgãos públicos municipais, estaduais e federais. Nessas circunstâncias, o uso da tecnologia novamente facilita em muito o dia a dia da área de legalizações.

No campo fiscal, por sua vez, a certificação digital praticamente revolucionou o envio de obrigações acessórias e a consulta a débitos e pendências junto à Receita Federal, assim como os parcelamentos para a quitação dessas dívidas.

Sem ela, tais rotinas eram demoradas, requeriam presença nas repartições e a obtenção de senhas de atendimento com disponibilidade normalmente inferior à demanda, causa recorrente de verdadeiras peregrinações. Mas isto virou passado, graças ao Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (E-cac), serviço acessado exclusivamente com o uso da certificação.

Outro avanço considerável abrange a administração dos Recursos Humanos, por meio da Conectividade Social, instrumento da Caixa Econômica Federal que facilita desde a checagem de dados cadastrais e a obtenção de extratos atualizados do FGTS, até a efetivação do saque por parte do funcionário.

Benefícios também não faltam na esfera da Declaração do Imposto de Renda, tanto da Pessoa Física quanto da Jurídica, esta última agora substituída pelo Sped.   Tornou-se possível, por exemplo, acessar remotamente e regularizar a base de dados do contribuinte, consultar sua conta corrente, acompanhar processos, além de retificar declarações e Darfs.

Tal cenário tem se expandido de forma expressiva, por intermédio de atendimento diferenciado, muitas vezes em domicílio e com hora marcada, oferecido pelas entidades representativas dos empreendedores e profissionais liberais.

O entrave remanescente para a massificação definitiva dessa cultura ainda reside no fato de contribuintes e contabilistas, individualmente, terem de investir cerca de R$ 250,00 para certificar, por apenas três anos, cada CPF envolvido.

Talvez seja este o único ponto a se refletir com relação a uma ferramenta de tal importância, sobretudo num ambiente de negócios como o nosso, onde toda a eliminação de burocracia, com o consequente ganho de tempo, é sempre muito bem-vinda.

 (*) José Maria Chapina Alcazar é presidente da Seteco Consultoria Contábil e vice da Associação Comercial de São Paulo (ACSP)

Portal Contábeis

O novo cenário digital

Só passando por transformações as empresas sobreviverão a esse novo ciclo

Luiz Mariotto

Produtividade é a relação entre o rendimento de uma atividade em função dos fatores ligados à sua realização. Porém, no dia a dia, ela vai além – representa a eficiência e a produtividade de uma empresa. A questão é – como direcionar esforços para alcançar a excelência da operação em um mercado que exige rapidez, flexibilidade e inovação? Em meio a tantas demandas, as corporações ainda precisam lidar com um cenário em constante desenvolvimento, com tecnologias que tornam o ambiente cada vez mais digital.

A resposta está na forma como os executivos encaram esse cenário. Ao extrair o máximo benefício do ambiente digital, uma empresa rompe com sua antiga forma de fazer negócio e cria uma operação mais ágil e produtiva.

Mas, para explorar esses diferenciais, a companhia deve criar uma nova forma de atuação. Como? Toda empresa possui processos em sua maioria desenvolvidos para um ecossistema off-line. Digo em sua maioria porque temos exemplos de companhias que já nasceram e são produtivas no ambiente digital.

Outro ponto do mundo digital é que nele está concentrada a maioria das pessoas – e logo será a totalidade. Esses usuários já não aceitam burocracias ultrapassadas, restrições no ambiente de trabalho, entre outros.

É necessário que as empresas adotem soluções que viabilizem a atuação em um ambiente digital. Conseguirão incorporar tendências, fazer bom uso das informações dos clientes mapeando comportamentos, evoluir os negócios para além de serviços e produtos, criando formas eficientes de ir a mercado.

Só assim vão se tornar mais produtivas e competitivas. Apenas passando por essa transformação, essas empresas irão sobreviver a esse novo ciclo do mundo corporativo e poderão aproveitar a maior beleza do “ser digital” – que é a possibilidade de repensar a noção de velocidade e se reinventar a todo momento.

beatrice.costa@rmacomunicacao.com.br

Vice-presidente de Negócios e Tecnologiada Software AG

DCI

Contratação eletrônica e o Judiciário

Rosemeire Meris Baird Ferraz 

Com o progresso tecnológico da informática o documento em papel é visto como algo menos hábil e dispendioso. Essa evolução tecnológica é marcada pela quebra de paradigmas. O mercado financeiro busca maiores lucros e menores despesas, diminuindo o uso de documentos físicos, em papel, para a realização de negócios jurídicos de forma eletrônica. Mas, de nada adianta o desenvolvimento da tecnologia da informação, objetivando o aprimoramento do comércio eletrônico, se juridicamente não for salvaguardo o objeto das relações advindas desse avanço. A problemática da substituição do papel é mais cultural do que jurídica. O Código Civil prevê a formalização de contratos orais (art. 656) e indica que a manifestação de vontade pode ser expressa por qualquer meio, senão quando a lei expressamente exigir forma especial (art. 107). O desafio é encontrar caminhos que possibilitem dar materialidade aos documentos eletrônicos, entendidos como a representação de um fato, concretizada por meio de um computador e armazenado em formato específico (bits e bytes), capaz de ser traduzido mediante o uso de programa (software) apropriado. Para que o documento eletrônico seja considerado juridicamente válido, é imprescindível que se possa identificar o autor, a localização e a data da sua autoria; que haja segurança quanto à integralidade dos dados criados, de forma que inviabilize alteração; e que esse sistema seja regulamentado pelo Estado. Importante destacar que a capacidade do agente e o objeto lícito também compõem os requisitos de validade da contratação eletrônica. Assim, os contratos eletrônicos realizados por meio da internet devem possuir preferencialmente alguns requisitos, além daqueles previstos em lei, para serem válidos ou para que eles possam ser usados como prova, que são: a certificação eletrônica, a assinatura digital e a autenticação eletrônica, para manter a autenticidade e integridade do documento, conforme o meio que foi utilizado para a sua realização. Insta ressaltar que a MP 2.200-2/2001, ao criar a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira – ICP Brasil, instituiu o Comitê Gestor e uma rede de autoridades certificadoras subordinadas a ela, que mantêm os registros dos usuários e atestam a ligação entre as chaves privadas utilizadas nas assinaturas dos documentos e as pessoas que nelas apontam como emitentes das mensagens, garantindo a inalterabilidade dos seus conteúdos.

A segurança da assinatura digital e da certificação eletrônica possibilita realizar, pela via eletrônica, os mais variados atos jurídicos 

Dessa forma, este mecanismo de segurança, permite a realização de negociações no meio eletrônico com a confiabilidade de que as informações transmitidas estão seguras. Estes instrumentos eletrônicos possibilitam que se assinem contratos e sejam praticados atos processuais eletrônicos autorizados pela Lei no 11.419, de 2006. Referida lei confirma a aceitação e validade jurídica da assinatura digital, em seu art. 2o, bem como o Código de Processo Civil, em seus arts. 154, § 2o , e 164, parágrafo único. A segurança da assinatura digital e da certificação eletrônica possibilita a realização, pela via eletrônica, dos mais variados atos jurídicos: contratos, operações bancárias, a prática de atos processuais, entre outros; podendo se pensar também em emissão de títulos de crédito. Vale enfatizar que o art. 11 da Lei 11.419/2006, torna o documento eletrônico expressamente admissível como meio de prova e o Código Civil, no que tange aos meios admissíveis de prova (art. 212, II, c/c art. 225), refere-se expressamente aos chamados “documentos eletrônicos”. Uma vez satisfeitos os requisitos legalmente previstos para a validade de um determinado ato, este deve ser considerado válido, ainda que praticado sob uma forma não prevista em lei, desde que, por esta não seja vedada. Importante reforçar que este critério de validade encontra-se positivado em nosso ordenamento jurídico, em especial nos artigos 154, 244 e 332 do Código de Processo Civil. Portanto, os documentos formalizados eletronicamente, com o uso de assinatura digital no âmbito do ICP Brasil, deverão ser aceitos pelo Judiciário, diante da presunção de veracidade atribuída pela MP 2.200-2/2001.

Rosemeire Meris Baird Ferraz é advogada em São Paulo e pós-graduanda em direito processual civil pela PUC-SP.

Fonte: Valor Econômico

De olho no Leão

A Receita Federal do Brasil (RFB) divulgou recentemente que os contribuintes que tiverem Certificado Digital terão mais um benefício no IR, além da declaração pré-preenchida: o preenchimento on-line diretamente no site da RFB. De olho nesse mercado de novos clientes adeptos à tecnologia por conta do IR, a certificadora Certisign, por meio da Autoridade de Registro (AR) Garantia, projete, em média, 800 clientes ao mês no primeiro ano de atuação e que esse número cresça em média 10% ao ano, já que o Certificado Digital segue ganhando espaço.

Fonte DCI – 03/03/2015

 

Tudo sob controle

A proteção contra roubos e perdas de dados aumenta, ao mesmo tempo em que as ameaças tornam-se mais sofisticadas.

Por Paulo Brito, para o Valor, de São Paulo

A computação em nuvem é uma das vertentes de tecnologia da informação que crescem com mais rapidez em todo o mundo. Em sua pesquisa “Elevating Business in the Cloud”, publicada em dezembro, a consultoria KPMG estima que de 2013 a 2020 o mercado global de nuvens públicas vai evoluir de um faturamento anual de US$ 58 bilhões para US$ 191 bilhões. No Brasil, o faturamento desse segmento deve alcançar US$ 798 milhões neste ano, prevê o IDC. As forças que impulsionam esse crescimento são muitas, segundo a pesquisa da KPMG, mas algumas das mais notáveis são o custo (49%), o favorecimento da mobilidade para aplicações (42%) e a melhoria no alinhamento das empresas com seus clientes e parceiros (37%). Uma das poucas forças que agem em sentido contrário é a segurança, admitem consultores e especialistas, embora todos acreditem que até nesse aspecto a computação em nuvem é mais vantajosa para as empresas do que manter um centro de dados próprio. Um dos especialistas que defendem esse ponto de vista é Paulo Pagliusi, presidente do capítulo brasileiro da Cloud Security Alliance, organização sem fins lucrativos cuja missão tem como foco promover a utilização das melhores práticas para garantia de segurança da computação em nuvem. A preferência de tantas empresas pela nuvem ocorre porque ela é, na opinião de Pagliusi, um dos quatro pilares do que ele chama de computação social. “É ela que viabiliza as redes sociais, a mobilidade e os nossos trabalhos de ‘business analytics’”, diz. “Mas temos de levar em conta que no universo da nuvem o desafio da proteção cresce muito — se já era difícil antes, agora temos um grau de dificuldade mais elevado.” Pagliusi explica que no passado era necessário proteger um perímetro bem definido no centro de dados. Mas hoje esse perímetro é elástico — e não se pode definir um perímetro que seja toda uma nuvem. “Temos, sim, de usar uma proteção inteligente contra roubos e perdas. Ao mesmo tempo, as ameaças se tornaram mais sofisticadas. No passado, o atacante até gostava de aparecer, mas hoje é o contrário — são equipes e organizações que fazem o ataque. Muitas vezes focam numa corporação durante três ou mais meses, estudando pessoas e hábitos antes de atacar”, conta. William Beer, diretor da consultoria Alvarez & Marsal, acha que ao discutirem atualmente a adoção de cloud computing as empresas estão de olho nos aspectos econômicos e tecnológicos, sem grande atenção para as mudanças e riscos que essa nova tecnologia traz. “Por exemplo, o controle sobre seus sistemas é claramente diferente. Há uma certa perda de controle sobre os sistemas por parte da área de TI — um departamento pode comprar serviços sem consultar esse pessoal, o que também é um aspecto dessa mudança de status.” “Acho que o mercado está mesmo indo na direção das nuvens, mas é importante notar que há problemas concretos nesse mundo novo”, observa ele. Beer afirma que é preciso pensar, por exemplo, em quais informações deverão ficar em nuvem e entender que tipo de controle a empresa terá sobre elas: “Se a empresa quiser levar os dados para outra nuvem, como isso está contratado com o provedor? Que garantias haverá sobre as possibilidades de migrar os dados quando necessário? Muitas organizações pensam muito bem em como ir para uma nuvem, mas não em como sair dela”, acrescenta. E há provedores, diz ele, que não deixam claras essas questões em seus contratos. Entre os gestores de TI existe de fato um certo receio com relação à perda de controle sobre os dados e aplicações e em relação à conformidade ou compliance, concorda Ricardo Schuette, gerente da área de consultoria em TI da Deloitte. “Há preocupações com o controle da governança, com os aspectos legais da localização do armazenamento dos dados, com a disponibilidade dos dados e com a sua segurança”, explica. Pelo menos parte dessas preocupações, segundo ele, pode ser reduzida quando o cliente confere as certificações do provedor, como a ISO 27001, que padroniza os sistemas de gerenciamento de segurança da informação. Muitas vezes, no entanto, o provedor tem recursos que o cliente ainda não está pronto para utilizar, diz Schuette. “É aí que encontramos a maioria das falhas. Há novas ferramentas que nem todos estão preparados para utilizar.” Ele questiona, por exemplo, se o gerenciamento de usuários está sendo bem utilizado pelo cliente, ou se ele tomou a precaução de criptografar os dados que estão na nuvem. “Há o risco de o cliente não usar esses recursos por não conhecêlos bem”, observa.

nuvemnova

O líder de segurança da informação e sócio da PwC Brasil Edgar D’Andrea acrescenta que a contratação de um serviço desses precisa fazer parte de uma estratégia da empresa, sempre com um objetivo bem claro, como é o caso de aumento de eficiência ou redução de custos. “É preciso avaliar o que acontece com relação a segurança e compliance após essa decisão, e também com as questões legais e tributárias associadas à mudança. É necessário saber, por exemplo, se os dados terão de ficar aqui no país ou se podem ficar armazenados fora”, exemplifica. D’Andrea explica que ao planejar a migração de um cliente para cloud computing a consultoria aplica uma metodologia que permite a ele encontrar as respostas para todas essas dúvidas. “A metodologia faz o encontro desses desafios com as soluções. Uma questão que apresentamos ao cliente é se o prestador do serviço de cloud pode seguir as políticas de segurança e de conformidade da empresa. Pode ser que não haja como adaptar o serviço dele às políticas do cliente. Mas havendo planejamento estratégico pode-se determinar até mesmo se as políticas de segurança do provedor não são até mais rígidas que as da própria empresa.” Por mais que a tecnologia de computação em nuvem tenha evoluído, a preocupação com a segurança continua na mesa quando clientes e consultores discutem esse assunto, conta Ricardo Chisman, diretor-executivo e líder de estratégia digital da Accenture: “É um item que aparece logo no início das nossas reuniões com clientes sobre o tema”, diz ele. Chisman afirma que a questão da segurança não é muito diferente da que está presente ao se discutir terceirização em TI. “Discute-se outro tipo de vulnerabilidade e de risco, mas o fundamento ainda é o mesmo — como tratar dessas questões num ambiente que ainda é novo, que tem suas diferenças? O que percebemos também é que às vezes não há clareza sobre quais são os riscos nas situações discutidas — há muito mais riscos percebidos do que reais. Falta um entendimento claro do que seja o risco e isso atrapalha as discussões. É preciso verificar onde ele existe, onde é aceitável, onde há benefício apesar dele. E há situações em que o melhor caminho para a segurança é ir para cloud.”

Implementação de soluções ganha agilidade 

Adotar a computação em nuvem tem trazido vantagens não só em custos e facilidade na implantação de sistemas como na segurança física e dos dados. Na Web- Motors, que fez sua migração a partir de junho de 2014 para a nuvem da Amazon, o CIO Marcos Lonzetti cita algumas vantagens: “Os melhores fornecedores de segurança e de monitoramento estão homologados pela nuvem e presentes nela — a gente não tem nem o trabalho de configuração, tudo está pré-instalado. Isso significa que podemos nos concentrar nas nossas aplicações”, diz ele. Para a empresa, o maior problema de segurança não são ataques, mas os concorrentes ou os sites comparadores de preços, que enviam robôs para capturar dados nos servidores da companhia, diz o CIO. Até a migração para a nuvem, relembra, qualquer alteração ou aperfeiçoamento para resolver um problema como esse podia representar custos elevados e nem sempre isso estava previsto no orçamento. “Não tínhamos, assim, tanta liberdade de ação quanto agora com o uso de nuvem.” A maior vantagem, em sua opinião, é a agilidade para experimentar ou implantar soluções: “Estamos testando uma solução de segurança que identifica padrões de comportamento nas comunicações com nossos servidores. O que for indesejável pode ser bloqueado ou gerar um alerta para a equipe”, conta ele. Na Ideal Invest, gestora de fundos que opera na área de crédito universitário, a migração foi para uma moderna nuvem no padrão aberto Open Stack, explica o gerente de TI Bruno Damásio Silva: “É um ambiente que favorece a agilidade e a flexibilidade na sua adaptação ao negócio, diferente de uma nuvem híbrida ou pública de outro padrão, na qual nós é que tínhamos de nos adaptar ao ambiente, conforme o modelo de negócios inicialmente contratado”, comenta. Agora, acrescenta ele, a migração está sendo finalizada: “No modelo antigo ficarão somente os recursos de backup e contingência”, explica. Em termos de segurança, a vantagem destacada pelo gerente da Ideal Invest é a possibilidade de que sua própria equipe decida toda a implementação. “Se houver necessidade de compra de algum serviço adicional, nós o adquirimos do provedor, que tem uma equipe com know-how de cada uma das ferramentas”, afirma. (PB)

Provedores registram crescentes ataques DDoS

Carmen Nery, para o Valor, do Rio

Crescem os registros de ataques de DDoS (Distributed Denial-of- Service Attack, ou ataque de negação de serviço) em datacenters e na nuvem. O problema ocorre pelo acesso simultâneo em massa a um site ou servidor, provocando a queda do sistema. De acordo com o 10o Relatório Global de Segurança de Infraestrutura da Arbor Networks, aproximadamente 50% dos provedores de serviço, hospedagem, serviços móveis e corporativos e outros tipos de operadores de redes enfrentaram ataques DDoS no período de novembro de 2013 a outubro de 2014. “Ataques que aconteciam há 20 anos também acontecem hoje, o que mudou foi a escala. Hoje, há muito mais exposição e 25 tipos diferentes de ataques, desde o flood (inundação), àqueles que exploram falhas de programação ou de configuração”, analisa Wander Menezes, especialista em segurança do Arcon Labs, empresa que monitora tendências de ameaças. Ele observa que os atores também mudaram, indo de crackers (hackers ‘do mal’) a concorrentes. Os vetores usados nos ataques vão de universidades a empresas públicas com grandes capacidades. Relatório da Trend Micro aponta que 2014 contou com ataques DDoS que eram novos, de alta largura de banda e cada vez mais baseados em múltiplos vetores. Cerca de 80% dos ataques tinham mais de um vetor e a atividade botnet — conjunto de programas conectados à internet que se comunicam com outros programas similares a fim de executar tarefas como tirar o sistema do ar — subiu 240%.

dddos

Fernando Cardoso, especialista de cloud security da Trend Micro, cita o caso da CloudFlare, que sofreu o maior ataque da história com uma largura de banda de 400 GB e a partir de uma falha no protocolo NTP — Network Time Protocol, que amplifica o alcance do ataque em 200 vezes. “Isso chamou a atenção para outro protocolo, o SMNP, capaz de amplificar a resposta em 650 vezes caso venha a ser usado num ataque”, diz. O tempo de inatividade não resulta apenas em perda de negócios para o operador de datacenter, mas em danos que se estendem aos seus clientes que têm na nuvem infraestrutura crítica para seus negócios. De acordo com pesquisa da Kaspersky Lab, ataques DDoS a recursos on-line de uma empresa também podem causar prejuízos consideráveis — com valores médios que variam de US$ 52 mil a US$ 444 mil, dependendo do tamanho da companhia. “A nuvem é mais apetitosa para os criminosos. Quanto mais recursos uma empresa coloca na nuvem, mais dependente ela ficará desses recursos e quanto maior a dependência, maior o impacto de um ataque DDoS. Cada provedor deve ter um plano de emergência para suportar os ataques e quem vai para a nuvem deve conhecer o plano do seu provedor”, aconselha Fábio Assolini, analista sênior de segurança digital da Kaspersky Lab. Outra novidade percebida no ano passado é que agora não são apenas computadores a efetivarem os ataques: foram descobertos roteadores infectados com vírus atuando como botnet. “No Brasil, desde 2012 sabemos de ataques que usam os modems de internet de usuários domésticos”, alerta Assolini. Domingo Montanaro, diretor de inteligência do Grupo New Space, diz que parte do trabalho da empresa é analisar o submundo fora das empresas para conhecer as motivações. Ele conta que hoje há empresas atacando empresas, para tirar o concorrente do ar, funcionários atacando empresas, ‘hacktivismo’ ideológico, vândalos buscando angariar reputação, ou mesmo a atividade econômica de cidades como Râmnicu Vâlcea, na Romênia, que tem sua economia baseada em crime cibernético. “No Brasil os ataques são de alto impacto, embora as motivações não sejam tão altas. Mas esta comunidade está se conscientizando de que esse tipo de atividade pode se tornar uma economia de alta renda como no Leste Europeu. Hoje um ataque DDoS pode ser facilmente contratado na rede, pois muitas empresas o oferecem de forma legal como ‘teste de estresse’”, diz Montanaro. Ariel Torres, consultor da F-Secure, prevê que a partir desse ano deve se intensificar ataques no Brasil visando a visibilidade dos Jogos Olímpicos de 2016, seja por parte de grupos de ativistas ou grupos políticos. “As grandes empresas e datacenters têm recursos para se defender. Mas as pequenas e médias podem estar vulneráveis.”

Fonte: Valor Econômico – 26/02