Artigo

O céu não é mais o limite

Edmar Araujo*

O final da década de 1950 foi fortemente marcado pela corrida espacial, filha legítima da Guerra Fria travada entre a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e os Estados Unidos da América. Por duas décadas, as nações disputaram a soberania da pesquisa e do desenvolvimento de tecnologias espaciais. Passados mais de 60 anos, esse duelo de titãs acabou por beneficiar todos os usuários das sempre novas tecnologias da informação e comunicação.

Quantos de nós, especialmente os nascidos até os anos 1980, não sonhávamos em viver no mundo dos Jetsons, aquele simpático desenho que exibia a cidade do futuro onde cada família tinha sua própria nave espacial, a videoconferência era um meio bastante comum de comunicação e os robôs, como a Rosie, cuidavam dos afazeres de casa?

Não seria exagero dizer que o filme Guerra nas Estrelas inspirou uma geração inteira a idealizar o mundo visto de cima pra baixo. Talvez a franquia de George Lucas tenha sido a primeira representação cinematográfica dessa tão noticiada corrida espacial.

É verdade que raros seres humanos puderam viajar para o espaço. Mais precisamente, 566 pessoas puderam ver o planeta Terra a partir de uma estação espacial, entre elas o atual Ministro da Ciência Marcos Pontes – que bem poderia escrever um breve tutorial aos terraplanistas sobre a forma da nossa casa comum. Mas todos nós, em algum nível, somos beneficiários de ininterruptos avanços desse certame internacional.

Voar de avião está entre os maiores feitos da tecnologia espacial, desde a construção de aeronaves pressurizadas até o domínio dos céus que elevaram este meio de transporte ao patamar de mais seguro do mundo. Muitos de nós preferimos e nos sentimos mais seguros ao nos locomovermos de carro, ainda que tal inclinação esteja fundamentada em sensações e irracionalidades, mas a verdade é que o número de acidentes aéreos é irrisório quando comparado aos voos que iniciam e terminam suas viagens.

Ainda que não percebamos, a tecnologia espacial está mais presente nas nossas vidas do que imaginamos. O noticiário diário que traz a previsão do tempo é fruto de dados providos por satélites geoestacionários e de órbita polar. Essa simples informação é estratégica para um sem número de atividades. Quando o governo decide fazer uma obra de grande porte, como asfaltar uma rodovia ou construir uma ponte, o período de maior estiagem será sem dúvidas o mais propício para o bom andamento dos trabalhos.

Programar colheitas e entregas de produtos do campo está cada vez mais viável graças à previsibilidade climática que a tecnologia espacial propicia, e isso impacta diretamente na economia e na saúde da população. Revendedores antecipam compras, fornecedores melhoram a concorrência e consumidores têm à disposição frutas, verduras e legumes cada vez mais frescos, adquiridos poucas horas após sua retirada.

Outros serviços espaciais utilizados em grande escala são a geolocalização e a navegação, disponíveis em qualquer aparelho celular. Quem usa o Waze talvez nunca tenha feito essa leitura, mas trata-se de aplicativo de tecnologia espacial que nos dá uma visão aérea de onde dirigimos, informa com exatidão nossa atual localização e permite que saibamos quando chegaremos a determinado destino. Serviços de entrega de comida são outros que lançam mão dessa tecnologia para programar rotas e atender pedidos com elevada expectativa dos consumidores.

A Amazon está entre as pioneiras mundiais com seu programa de encomendas realizadas por drones. O Amazon Prime Air conta, inclusive, com profissionais que atuaram em companhias aéreas, como David Carbon, ex-Boeing.

E no Brasil, como estamos?

Para nossa surpresa, a notícia que chega é alvissareira.

De forma inédita, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) acaba de emitir o Certificado de Voo Experimental para que uma empresa inicie a entrega de produtos com o uso de drones. Será um drone com cerca de 9 kg autorizado a carregar pacotes que pesem no máximo 2 kg e que poderá voar até 2,5 km entre o ponto de decolagem e seu destino. Muitos motoboys, num futuro próximo, deixarão de cortar as ruas das grandes capitais brasileiras para se dedicarem a operação de drones, que são mais baratos e não colocam a vida de seus operadores em risco.

O e-commerce está prestes a iniciar uma nova onda, revolucionária e que estimulará sobremaneira a concorrência entre os prestadores de serviços. Tomara que tenhamos aqui no Brasil boa combinação entre regulamentação e empreendedorismo que garanta novas oportunidades, segurança para a sociedade e conveniência para os consumidores.

O céu não é mais o limite.

*Edmar Araujo, presidente executivo da Associação das Autoridades de Registro do Brasil (AARB). MBA em Transformação Digital e Futuro dos Negócios, jornalista, especialista em Leitura e Produção de Textos. Membro titular do Comitê Gestor da ICP-Brasil.

Artigo originalmente publicado no site do Estadão

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